25 de Dezembro de 1997,
A chuva molhava o vidro e as luzes intensas que transpassavam a janela lembravam-me de coisas desagradáveis. O barulho era infernal, minha cabeça doía, sentia-me angustiado por tanta insatisfação. Já bastara ter esperado por três horas para poder embarcar, agora, sentado naquela poltrona, vendo a linda menina com seu cabelo castanho avermelhado sacudir inquetamente suas finas pernas com a ansiedade do primeiro voo me lembrava de tudo aquilo que não tinha coragem de aceitar.
Seus olhos eram lindos, verdes, profundos, inocentes. Sua pele era clara com sinais, que mesmo escondidos pelo corpo, arrepiavam os cabelos do meu braço escondido sob a jaqueta jeans. Sua voz era agradável, mas seu sotaque era perturbador. Talvez por ser realmente atraente, talvez por me lembrar daquilo que tanto quero esquecer apesar de insistir em retomar nos meus pensamentos, o falar de uma menina gaúcha me atrai de forma inesplicavel.
Deixar o Rio Grande era indiscutivelmente um alívio. Os últimos dois dias foram um inferno. A festa que me aterroriza pelo simples fato de ser uma comemoração familiar só se torna mais terrível ao ser comemorada em família. A cidade que ainda assombra minhas memorias parece não mudar nunca, ou, para minha angustia, retoma os ares de minha infância sempre que a ela regresso. O Rio difere pouco de São Leopoldo quando penso que única coisa que me importar é estar longe de tudo que não consigo encarar.
Me intrigava o fato de pegar um pedaço daquele retrato antigo e leva-lo para meu refugio, mas Camila era diferente. Enquanto aquelas mesas com parentes dos quais não me recordo e irmãos que não gostaria de recordar rasgavam minha alma como ferro cirúrgico, Camila parecia a mais eficaz das anestesias. Camila não era parente, mas era daquela cidade, apesar de ser Camila, o prazer de te-la era um dor latente.
As minhas estrelas poderiam esperar até a primeira noite na janela de casa. Com a janela do avião a minha esquerda e Camila a minha direita, deixa-la trocar de assento comigo não era mera caridade com a caipira, olhar Camila olhar minhas estrelas era provar do caldo de uma fruta, que em ocuparia minha mesa por muitas refeições. O voo foi como um a primeira dose de uma droga que sopraria minha vela mar adentro. O Rio de Janeiro é minha fantasia.
Camila aos poucos acabaria com o significado que aquela cidade tinha para mim. Estava levando São Leopoldo inteira no seio dela, levando direto para dentro do meu quarto. E sordidamente fantasiava, estava para convidar a sombra do pesadelo para uma noite na mesma cama do anjo dos sonhos.
Camila, meu desejo, minha cura.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Começar
Bom dia.
Hoje acordei de um lindo sonho. Sonhava que voava sobre um lago, nos céus da Irlanda. Me lembro bem de, ao longo da noite, ter meu sonho interrompido pelo barulho de obra que vinha da janela, até levantara em determinado momento para buscar um copo d'água para poder voltar ao meu doce sonho.
Hoje meu amor me acordou com um beijo no rosto, me acordou pois tinha sido acordada de seu sonho também. Um bilhete esquecido no fundo do palito pareceu perturbar a paz daqueles que dormiam no início do dia.
Quando acordei, senti me enjoado, pois fazia tempo que dormia aquele sono gostoso, quis gritar com ela, mas ela havia me acordado tão docemente, seus olhos calmos me olhavam, compartilhando da falta que aqueles sonhos faziam.Sentei-me em minha cama e abracei-a enquanto começávamos a nos acostumar com a brisa que entrava pela janela aberta. A ideia de levantar daquela cama e seguir em frente parecia nos assustar, mas mesmo assim sabíamos que era o unico jeito, sabíamos que apesar de as coisas nunca serem como nos sonhos, durante o dia podemos acreditar naquilo que nossos sonhos nos impõe aceitar como realidade. Ainda acredito que posso voar sobre aquele lindo lago irlandês.
Ainda estou sobre a cama, talvez, se acalmar e me deitar, logo volte para aquele lindo sonho. Espero que ela deite-se ao meu lado e sonhe também, pois passei a noite anterior inteira contando-lhe contos de fadas para inspirar-lhe e fazê-la sonhar como eu sonho.Mas a brisa da janela me trouxe uma nova sensação. O sonho será diferente agora, será mais real, apesar disso, ainda acredito que possa voar.
Hoje acordei de um lindo sonho. Sonhava que voava sobre um lago, nos céus da Irlanda. Me lembro bem de, ao longo da noite, ter meu sonho interrompido pelo barulho de obra que vinha da janela, até levantara em determinado momento para buscar um copo d'água para poder voltar ao meu doce sonho.
Hoje meu amor me acordou com um beijo no rosto, me acordou pois tinha sido acordada de seu sonho também. Um bilhete esquecido no fundo do palito pareceu perturbar a paz daqueles que dormiam no início do dia.
Quando acordei, senti me enjoado, pois fazia tempo que dormia aquele sono gostoso, quis gritar com ela, mas ela havia me acordado tão docemente, seus olhos calmos me olhavam, compartilhando da falta que aqueles sonhos faziam.Sentei-me em minha cama e abracei-a enquanto começávamos a nos acostumar com a brisa que entrava pela janela aberta. A ideia de levantar daquela cama e seguir em frente parecia nos assustar, mas mesmo assim sabíamos que era o unico jeito, sabíamos que apesar de as coisas nunca serem como nos sonhos, durante o dia podemos acreditar naquilo que nossos sonhos nos impõe aceitar como realidade. Ainda acredito que posso voar sobre aquele lindo lago irlandês.
Ainda estou sobre a cama, talvez, se acalmar e me deitar, logo volte para aquele lindo sonho. Espero que ela deite-se ao meu lado e sonhe também, pois passei a noite anterior inteira contando-lhe contos de fadas para inspirar-lhe e fazê-la sonhar como eu sonho.Mas a brisa da janela me trouxe uma nova sensação. O sonho será diferente agora, será mais real, apesar disso, ainda acredito que possa voar.
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